enchenteMinelvino Francisco Silva
O Trovador Apóstolo

A todo meu povo amigo
eu peço que se reúna
seja rico ou seja pobre
que mora nesta comuna
pois vou contar contristado
a enchente de Itabuna

Porque a nossa Itabuna
cada vez fica indefesa
sob o Rio Cachoeira
por ordem da Natureza
deu a Ela um ano novo
de aflições e tristeza

.

A 26 de dezembro
de sessenta e sete o ano
a cidade de Itabuna
nas zonas do sul baiano
as águas do cachoeira
deram começo a seu dano

Começaram a crescer
tomando toda cidade
primeiro na Mangabinha
foi uma calamidade
as casas submergindo
que fazia piedade

Aquelas casas mais baixas
do mais fraco pessoal
ficaram debaixo dágua
nesse desastre fatal
das telhas e comeeira
via somente o sinal

Todos pensavam que o rio
depressa dava passagem
aqueles negociantes
com Inteligência e coragem
cada um na sua porta
fazia uma tapagem

Enquanto uns se achavam
nesta tão grande aflição
já outros se divertiam
fazendo até mangação
correndo por dentro dágua
achando ser diversão

Dizem que três cabeludos,
duas moças afinal
dançando por dentro dágua
como em um festival
e tocando um violão
como fosse um carnaval

Enquanto aqueles levavam
o caso na brincadeira
já o rádio anunciava:
morreu Lourival Ferreira
aquele capoeirista
nas águas do Cachoeira

Quando um pedia socorro
no bairro da Mangabinha
outro gritava em Itapé
já perdi minha casinha
gritava outro em Berilo
perdi tudo quanto tinha

no bairro Lomanto Júnior
o povo pedia socorro
no bairro São Caetano
gente gritava hoje eu morro
e a ponte do Marabá
a água levava o fôrro

Frei Mauricio organizou
uma linda procissão
pedindo misericórdia
a Deus pedindo perdão
mas os incrédulos fizeram
dela a maior mangação

Da cidade de Ilhéus
o prefeito Nerival
mandou para Itabuna
bastante policial
em garantia da ordem
para todo pessoal

Até as 12 da noite
a Rádio Clube falou
dando socorro a pobreza
e assim continuou
água subindo e subindo
até que tudo parou

A velha Cinquentenário
virou um verdadeiro mar
dois metros e meio de água
para quem quisesse olhar
só quem não tem coração
vê isso pra não chorar

Então no dia 28
cedinho a cidade escura
fui a praça João Pessoa
chorei de tanta amargura
onde a água estava rasa
já dava pela cintura

Rádio Clube e Difusora
pararam sua difusão
telefone nem se fala
que fez interrupção
nossos rádios amadores
entraram logo em ação

Do meio dia em diante
o povo pôs se alegrar
porque as águas do rio
começaram a baixar
muitos enxugaram as lágrimas
e pararam de chorar

o certo é que Itabuna
quase perde até o nome
é tanto do prejuízo
que não há mesmo quem some
aonde não chegou água
chegou tristeza e fome

A enchente de Itabuna
foi mesmo forte e pesada
e como diz um ditado
da velha época passada
quem foi rico ficou pobre
quem foi pobre virou nada

Muita gente ali lutando
naquele grande alvoroço
tirando cadeira e mesa
que era um serviço grosso
de cama, mala e colchões
com água pelo pescoço

Na pracinha do mercado
parecia mesmo um mar
homem e menino lutando
para os seus móveis salvar
duas canoas remando
para poder transportar

Aquelas casas mais altas
ninguém a porta acertava
subia na comeeira
então ali destelhava
e mergulhava lá dentro
alguma coisa salvava

Seu José Jorge da Silva
estava quase a chorar
porque a tremenda enchente
invadiu todo seu lar
apenas salvou a vida
nada mais pôde salvar

Ali na Cinquentenário
estava correndo risco
a água do rio entrou
trazendo folhas e cisco
que já até parecia
com rio de São Francisco

Um prédio na Mangabinha
se pôs a água cercar
e o povo foi subindo
ficou lá no último andar
mas as 10 horas da noite
começou a desabar

Então pediram socorro
que estavam vendo morrer
ligeirinho Frei Mauricio
pediu pra ir socorrer
mandando 2 caminhões
pra salvar seu padecer

E a nossa Rádio Clube
foi posta a disposição
pra socorrer o povo
que estava em grande aflição
Frei Mauricio trabalhava
na prática dum bom cristão

O governo do estado
um cristão obediente
enviou 30 milhões
pra socorrer toda gente
depois enviou duzentos
lutando de frente a frente

O povo mais abastado
dava colaboração
se um mandava dinheiro
e outro mandava pão
quando um mandava farinha
outro mandava o feijão

O nosso Itabuna Clube
foi pelo Banco ofertado
pra servir de abrigo
do povo desabrigado
mas antes de ir o primeiro
já a água tinha tomado

Falaram pra Jequié
falaram pra Salvador
pedindo socorro urgente
ao nosso governador
porque a nossa cidade
estava mesmo um horror

Depois disso a Rádio Clube
fez uma interligação
no bairro do Pontalzinho
e voltou a transmissão
a serviço desse povo
que estava em aflição

Só se escutava a notícia
do povo que estava ilhado
homem, menino e mulher
pra não morrer afogado
subia pelas paredes
ficava lá no telhado

Os ricos de Itabuna
trabalharam pra valer
dando abrigo e comida
para os pobres socorrer
as águas foram crescendo
começaram a padecer

As casas comerciais
faz pena até se contar
porque a água invadiu
e se pôs a danificar
todas as mercadorias
que não podia molhar

Se via descer nas águas
cama, cadeira e colchão
mesa, sofá, tamburete
esteira velha e caixão
rádio, transitor de luz
e até televisão

Morreram muitas pessoas
esta que é a verdade
diversos itabunenses
foram para eternidade
que as águas do rio levaram
não se sabe a quantidade

Meu Deus, meu Pai Soberano
faça com que se reúna
se for possível os ateus
imploro que a vós se uma
louvando alegre e contente
viva sem ter outra enchente
a nossa bela Itabuna

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